Rúben da Cruz: “A música é a ponte que une culturas, emoções e pessoas”
Rúben da Cruz: “A música é a ponte que une culturas, emoções e pessoas”
Para começar, podes apresentar-te em poucas palavras à comunidade da Becasting.pt?
RDC : Sou o Rúben da Cruz, DJ, produtor, empresário e entertainer. Ao longo da minha vida tive a oportunidade de passar por diferentes áreas, desde a moda, televisão e produção de grandes eventos até chegar à música. Hoje estou focado na House Music e no Afro House, procurando criar experiências que unem culturas, emoções e pessoas através da música. Acima de tudo, sou alguém apaixonado por entretenimento, cultura e pela capacidade que a música tem de criar momentos inesquecíveis.
Qual é a tua primeira memória musical, aquela que te leva diretamente aos teus inícios? Aquela que te fez querer tornar-te DJ?
RDC : As minhas primeiras memórias musicais estão muito ligadas a Angola e à cultura africana. Cresci rodeado de música, dança e momentos de celebração onde a música tinha sempre um papel central. Essa ligação às minhas raízes influenciou profundamente a pessoa e o artista que sou hoje.
Desde pequeno fui influenciado por artistas que marcaram gerações. Os Kassav’ tiveram um impacto muito especial na minha infância e sempre admirei a energia e a fusão cultural que representavam. Curiosamente, anos mais tarde tive a oportunidade de partilhar palco com eles, algo que foi extremamente especial para mim.
O Michael Jackson inspirava-me pela sua capacidade de transformar a música num espetáculo completo, através da dança, da performance e da ligação com o público. Já o Bob Marley marcou-me pela autenticidade, pela mensagem e pela forma como utilizava a música para unir pessoas e culturas.
Mais tarde descobri a House Music e comecei a apaixonar-me pela energia e pela liberdade que ela transmite. Nessa fase comecei também a acompanhar artistas como Black Coffee e DJ Djeff, ainda numa altura em que o Afro House não tinha a projeção mundial que tem hoje. Eles mostraram-me que era possível unir a cultura africana à música eletrónica sem perder identidade. Foi precisamente dessa procura que nasceu a minha ligação ao Afro House.
Sempre foste DJ ou trabalhavas noutra área antes? Em que momento sentiste a necessidade de subir ao palco?
RDC : Antes de ser DJ já estava profundamente ligado ao mundo do entretenimento. Em 2010 fundei a Black Diamond e comecei a produzir grandes eventos, tanto em Portugal como no estrangeiro, trabalhando com artistas nacionais e internacionais de grande renome.
Durante vários anos estive nos bastidores a criar experiências, a organizar eventos e a acompanhar alguns dos maiores nomes da música e do entretenimento. Essa experiência permitiu-me conhecer a indústria por dentro e perceber o impacto que a música tem na vida das pessoas.
Em 2013 decidi tirar o curso profissional de DJ porque senti que já não queria apenas criar os palcos para os outros artistas. Queria também contar a minha própria história através da música. Foi um passo natural e, desde então, nunca mais parei.
Passaste por vários meios artísticos antes de te lançares oficialmente. Como é que todas essas experiências te ajudaram a construir a tua identidade, e tiveste dúvidas ao dar esse passo?
RDC : Sem dúvida que todas essas experiências foram fundamentais para a construção da minha identidade.
A moda ensinou-me disciplina, imagem e profissionalismo. A televisão ajudou-me a comunicar, a lidar com a exposição pública e a conectar-me com diferentes públicos. A produção de eventos ensinou-me a criar experiências e a perceber aquilo que realmente faz as pessoas sentirem emoções.
Claro que tive dúvidas. Sempre que iniciamos um novo capítulo existe receio e incerteza. Mas acredito que o crescimento acontece precisamente quando temos coragem para sair da nossa zona de conforto. Hoje percebo que cada etapa teve um propósito e que tudo contribuiu para o artista que sou atualmente.
Acreditas que as tuas origens influenciam a tua energia e a forma como fazes o público dançar?
RDC : Completamente.
As minhas origens fazem parte da minha identidade e da forma como vivo a música. Cresci entre diferentes culturas e sempre senti uma forte ligação tanto à House Music como à cultura africana.
Durante muitos anos procurei encontrar um ponto de encontro entre esses dois universos. A energia e a liberdade da House Music, juntamente com a riqueza rítmica, emocional e cultural da música africana.
O Afro House surgiu precisamente dessa fusão. Não foi uma tendência que segui, foi uma consequência natural daquilo que sempre procurei criar. Quando estou a tocar, quero que as pessoas sintam essa energia, essa ligação e essa celebração que a música tem o poder de transmitir.
Tens algum projeto em curso que gostarias de partilhar connosco?
RDC : Estou numa fase muito especial da minha carreira. Tenho nova música em desenvolvimento, novos projetos ligados à House Music e ao Afro House e estou cada vez mais focado na internacionalização do meu trabalho.
O meu objetivo é continuar a crescer enquanto artista, representar as minhas raízes e levar a minha identidade musical a novos públicos dentro e fora de Portugal. Existem várias novidades a caminho e acredito que os próximos tempos serão muito importantes para esta nova fase da minha carreira.
Acabaste de anunciar que no dia 27 de agosto vais tocar pela primeira vez nas Festas de Corroios. O que significa para ti subir a um dos maiores palcos da Margem Sul, e o que nos reservas com esse famoso “set diferente” que tens vindo a teasar no Instagram?
RDC : É um enorme orgulho.
As Festas de Corroios são uma referência na Margem Sul e fazem parte da memória de muitas gerações. Poder subir a esse palco pela primeira vez é uma responsabilidade, mas também uma conquista muito especial para mim.
Quanto ao set, posso dizer que será uma viagem pela minha evolução enquanto artista. Vai existir House Music, Afro House, emoção, energia e algumas surpresas que refletem aquilo que tenho vindo a construir ao longo dos anos.
Mas acima de tudo, quero aproveitar esse momento para mostrar através da música quem eu sou. As minhas influências, as minhas raízes, o meu percurso e a minha identidade estarão presentes naquele palco.
Quero que as pessoas dancem, sintam, celebrem e criem memórias. O meu objetivo é que quem esteja presente viva um momento especial e que, anos mais tarde, ainda se lembre da energia e da ligação que partilhámos naquela noite.
E finalmente, a nossa pergunta de assinatura para fechar a entrevista: se tivesses de dar apenas um conselho a um jovem artista que está a começar, entre castings, estúdio e dificuldades… qual seria?
RDC :Diria para nunca desistir dos seus sonhos e objetivos.
Vivemos numa época em que muitas pessoas desistem porque os resultados não aparecem imediatamente. Mas a verdade é que o sucesso raramente acontece à primeira tentativa. E muitas vezes nem à segunda.
Eu próprio passei pela moda, televisão, empreendedorismo, eventos e muitos desafios antes de chegar onde estou hoje. Houve momentos de dúvida, obstáculos e dificuldades, mas aprendi que o mais importante é continuar.
Por isso, o meu conselho é simples: acredita em ti, trabalha todos os dias, aprende com os erros e nunca desistas só porque algo não resultou à primeira ou à segunda. Continua a lutar pelos teus sonhos e pelos teus objetivos.
O talento é importante, mas é a persistência, a disciplina e a capacidade de continuar quando as coisas não correm como esperamos que realmente fazem a diferença. Porque muitas vezes a maior vitória está apenas um passo depois do momento em que a maioria das pessoas decide desistir.
Entre a energia da House Music e a riqueza cultural africana, Rúben da Cruz continua a afirmar uma identidade artística própria, construída com trabalho, persistência e paixão. Prestes a subir pela primeira vez ao palco das Festas de Corroios e com novos projetos a caminho, o artista mostra que o sucesso é feito de evolução constante. E deixa uma mensagem clara para quem está a começar: acreditar em si próprio, manter a disciplina e nunca desistir dos seus sonhos, mesmo quando os resultados demoram a chegar.
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